ANÁLISE: Para onde Lula irá agora?

Ex-presidente começa oficialmente sua pré-campanha.

@Lula @Jair Bolsonaro @Ciro Gomes @Geraldo Alckmin
@Carlos Bolsonaro @Flavio Bolsonaro @EDUARDO BOLSONARO
@PT – Partido dos Trabalhadores @Partido Social Liberal PSL

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente dá início oficial à sua pré-campanha, em um grande ato em São Paulo. Entre a aliança com Geraldo Alckmin em dezembro e agora, o líder em todas as pesquisas só se preocupou em cultivar seu tradicional eleitorado de esquerda e acumulou arestas, com uma sequência de declarações polêmicas em que comprou briga com a classe média, o centrão, conservadores religiosos, ambientalistas, militares, policiais, e até com União Europeia e Estados Unidos, ao criticar o apoio internacional que o presidente da Ucrânia está recebendo depois da invasão daquele país pela Rússia. Nada disso teve efeito nas pesquisas, a rejeição ao petista não aumentou, mas a metralhadora verbal do petista deixou o presidente Jair Bolsonaro mais à vontade para deixar a economia de fora da discussão eleitoral . Bolsonaro vive um momento de recuperação de imagem enquanto Lula prioriza outros alvos.

A polarização entre Lula e Bolsonaro, até o momento parece garantida. Nem Ciro, nem João Doria, nem Simone Tebet demonstraram competitividade, embora seja ainda cedo para descartar uma guinada eleitoral. Com a oficialização do pré-lançamento de Lula, há muita expectativa sobre qual rumo a campanha do petista tomará: se vai se manter em uma linha tradicional de esquerda ou vai se movimentar ao centro. Vai ficar claro agora se Alckmin terá algum papel além de aparecer junto com Lula nos palanques Brasil afora. Outra questão em aberto é a da governabilidade. Até 2002, quando eleito pela primeira vez, o grande risco que Lula enfrentava era de desestabilização pelo comportamento do mercado financeiro. Houve fuga de capitais, muita incerteza sobre para onde ia a economia. Agora a dúvida não é apenas essa .

Há também uma incerteza política. Há dúvidas se um resultado eleitoral adverso seria aceito por Bolsonaro e seus apoiadores, sobretudo se o vencedor da disputa for Lula . Há dúvidas sobre o que aconteceria no Brasil se por um acaso se repetisse aqui um episódio semelhante à crise da invasão do Capitólio que marcou o fim do governo Trump. A partir de agora, e de uma maneira crescente, os atos e as palavras de Lula serão cuidadosamente estudadas.

You May Also Like