Bolsonaro despreza vacina, Salles na mira da PF e a reforma tributária não sairá tão cedo

A CPI da Covid foi, mais uma vez, um dos temas com maior destaque na política na semana.

No depoimento que prestou à comissão na quinta-feira, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que o governo Jair Bolsonaro desprezou, em outubro do ano passado, uma oferta de 100 milhões de doses da Coronavac que seriam entregues até maio deste ano.

Covas disse que não houve acordo sobre a oferta de vacinas por causa de entraves políticos e burocráticos. E afirmou também que as declarações de Bolsonaro levaram a uma paralisação por três meses do processo de compra da vacina, produzida pelo Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

E documentos do Ministério da Casa Civil entregues à CPI mostram que pessoas apontadas como integrantes de um ministério paralelo da Saúde participaram de ao menos 24 reuniões para tratar de estratégias do governo Bolsonaro no combate à pandemia.

Esse ministério paralelo atuaria como um grupo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro, segundo senadores independentes e de oposição que fazem parte da CPI.

E mesmo com as revelações da CPI e  com o número de mortos pelo coronavírus chegando à marca de meio bilhão de pessoas, Bolsonaro não deixa de esticar a corda. Agora ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar decretos de Lockdown e toque de recolher adotados por Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraná.

A justificativa da ação, impetrada juntamente com o Advogado-Geral da União, André Mendonça, seria “garantir a coexistência de direitos e garantias fundamentais do cidadão”.

Outro assunto com destaque na semana Política é a investida da Polícia Federal sobre o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele é apontado pelos investigadores como participante de um esquema que teria como propósito facilitar a exportação ilegal de madeiras da Amazônia.

Segundo a investigação, um assessor especial de Salles usou um grupo de Whatsapp para pressionar fiscais do Ibama a cancelar uma autuação. Salles tem negado envolvimento em irregularidades e o advogado dele, Fernando Fernandes, diz que ainda não teve acesso aos autos do inquérito, que tramita no STF porque o ministro detém privilégio de foro.

E pra quem achava que haveria alguma novidade na novela da reforma tributária, o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que o tema será discutido de forma fatiada. A Proposta de Emenda à Constituição que trata de impostos sobre o consumo deve ter a tramitação iniciada pelo Senado.

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