Como o impasse entre Brasil e Argentina ameaça o Mercosul? I AO PONTO

No dia 26 de março, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de outros membros associados, celebraram os 30 anos do Mercosul. Mas o clima no encontro virtual não era de festa, como ficou claro no tom do discurso do presidente da Argentina. Alberto Fernández disse que lamentava, caso o seu país tenha se tornado um peso para o bloco econômico. E, de fato, na opinião dos governos de Brasil e Uruguai é disso que se trata. Os dois países querem um bloco mais aberto para o mundo. O Brasil negocia tarifas menores para importações de outras nações,a chamada Tarifa Externa Comum (TEC). Já os argentinos alegam que a fragilidade de sua economia impede a adesão a mudanças, como a redução dessa tarifa. O Brasil de Bolsonaro, adversário político de Fernández, não aceita esse argumento. A distância entre as posições é tão grande que o país vizinho recorreu aos ex-presidentes Sarney, Lula e Fernando Henrique em busca de apoio, que veio na forma de uma nota conjunta do tucano e do petista, na qual dão suporte aos argumentos da Casa Rosada. Mas a ordem do ministro da Economia Paulo Guedes é não ceder. E como nenhum lado cede, o impasse prevalece. A polêmica sobre a TEC, na verdade, expõe assimetrias e falhas que se aprofundaram em 30 anos do bloco econômico. Além da tarifa, o Brasil quer mais liberdade para fazer negociações paralelas e individuais com outros países, pleito compartilhado com o Uruguai, mas que fere as regras do tratado. Uma reunião, que deveria ocorrer nesta terça-feira para tratar desses assuntos, foi adiada por tempo indeterminado. No Ao Ponto desta terça-feira, a repórter especial Janaina Figueiredo, que acompanha o tema de perto, analisa a crise do bloco econômico e revela de que forma as atuais divergências ameaçam o futuro do Mercosul.

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