CPI da Covid: como ‘isolamento vertical’ pode virar arma contra Bolsonaro

Uma das linhas de investigação da CPI da Covid apura se o governo federal adotou a estratégia da imunidade de rebanho, ou seja, a obtenção da imunidade coletiva por meio da infecção da população, no enfrentamento à pandemia de covid-19.

O senador oposicionista Humberto Costa (PT-CE) afirmou durante a sessão do último dia 11 de maio, em referência ao tema, que “o governo expôs o povo brasileiro à doença e à morte, cometendo um crime de dolo eventual porque sabia que poderíamos chegar nisso”.

Procurado pela BBC News Brasil, o governo não comentou as acusações.

Os parlamentares investigam se o governo tentou implementar o chamado “isolamento vertical”, estratégia em que apenas idosos e pessoas com comorbidades ficam isolados do resto da população, como forma de atingir a imunidade de rebanho contra o coronavírus.

O presidente Jair Bolsonaro já deu algumas declarações nesse sentido: “O que nós estamos conversando para redirecionar é o isolamento vertical. O que que é o vertical? É você pegar a pessoa idosa e isolar. Bota num hotel, aluga um hotel, coloca lá dentro”, disse Bolsonaro durante uma de suas transmissões ao vivo semanais pela internet, em março de 2020.

Quase um ano depois, após alta nas mortes de jovens, ele continuou defendendo a ideia. “Devemos estimular, sim, fazer uma campanha para o idoso, para quem tem comorbidades ficar em casa. E o resto, pessoal, toma as medidas ali que estão sendo usadas no momento, e vamos para o ‘trampo’. Vamos trabalhar”, disse o presidente durante transmissão no último dia 11 de março.

A BBC News Brasil conversou com os pesquisadores Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz, e Márcio Bittencourt, do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) sobre os efeitos do isolamento vertical.

Confira no vídeo.

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