Política na semana: Médicas na CPI, STF autoriza depoimento de Salles e mais

O depoimento da infectologista Luana Araújo à CPI da Covid foi o ponto alto da semana política. A médica trabalhou 10 dias no Ministério da Saúde para elaborar uma estratégia de enfrentamento da pandemia. Mas saiu do governo ao ter a sua nomeação barrada.

A médica definiu o debate sobre a cloroquina como uma discussão delirante. E ressaltou que uma terapia precoce que não existe não pode ser tornada política de saúde pública.

Também chamou a atenção o depoimento de outra médica prestado à CPI, da oncologista e imunologista Nise Yamaguchi. Ela é uma das principais defensoras do tratamento precoce à Covid-19, que não tem eficácia cientificamente comprovada.

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Ela negou integrar o gabinete paralelo da Saúde e disse que não tomou parte na tentativa de alterar a bula da cloroquina

A médica caiu em várias contradições. Uma delas foi a afirmação de que nunca manteve encontro privado com Bolsonaro. Os dois tiveram reunião a sós em 15 de maio do ano passado e há o registro de ao menos outros três encontros da médica com o presidente, ocorridos na presença de outras pessoas.

Também nessa semana, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal autorização para abrir inquérito e investigar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A relatora do caso é a ministra Cármen Lúcia.

O pedido teve como base notícia-crime apresentada contra o ministro pelo delegado Alexandre Saraiva, da Polícia Federal do Amazonas. Salles é suspeito de tentar atrapalhar uma investigação sobre a maior apreensão de madeira da história e defender interesses de madeireiros ilegais.

Na quinta-feira, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, relator da da investigação conduzida pela Polícia Federal, permitiu que a PGR tomasse o depoimento de Salles durante as investigações da Operação Akuanduba, que apura crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação ao contrabando.

Salles disse no depoimento à PGR que promoveu uma reunião em março para discutir a maior apreensão de madeira no Brasil a pedido do ministro Luiz Eduardo Ramos, que na época estava no comando da Secretaria de Governo. Hoje Ramos ocupa a Casa Civil.

Salles disse ainda que a assessoria da Casa Civil enviou um parlamentar ao Ministério do Meio Ambiente para tratar do mesmo assunto. Na ocasião, a Casa Civil era chefiada pelo ministro Walter Braga Netto, atual ocupante do Ministério da Defesa.

As informações constam de documento enviado por Salles à PGR no início de maio para explicar a razão da intervenção do ministro no assunto.

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